{"id":294,"date":"2020-03-01T22:10:46","date_gmt":"2020-03-01T22:10:46","guid":{"rendered":"https:\/\/clunyportugal.com\/ppsjc\/?p=294"},"modified":"2020-03-01T23:05:06","modified_gmt":"2020-03-01T23:05:06","slug":"com-ana-maria-todos-tudo-e-sempre-em-missao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clunyportugal.com\/ppsjc\/2020\/03\/01\/com-ana-maria-todos-tudo-e-sempre-em-missao\/","title":{"rendered":"COM ANA MARIA TODOS, TUDO E SEMPRE EM MISS\u00c3O"},"content":{"rendered":"\n<p><em><strong>Coimbra, 26 de janeiro 2019<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/clunyportugal.com\/ppsjc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/original-1024x576.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-296\" srcset=\"https:\/\/clunyportugal.com\/ppsjc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/original-1024x576.jpeg 1024w, https:\/\/clunyportugal.com\/ppsjc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/original-300x169.jpeg 300w, https:\/\/clunyportugal.com\/ppsjc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/original-768x432.jpeg 768w, https:\/\/clunyportugal.com\/ppsjc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/original-1536x864.jpeg 1536w, https:\/\/clunyportugal.com\/ppsjc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/original.jpeg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Ano Mission\u00e1rio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Conforme a Nota Pastoral da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa&nbsp;<em>\u201cTodos, Tudo e Sempre em Miss\u00e3o\u201d<\/em>, o Ano Mission\u00e1rio (2018-Outubro-2019) \u00e9 uma proposta dos Bispos portugueses.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 99 anos o Papa bento XV publicou a Carta Apost\u00f3lica&nbsp;<em>Maximum Illud&nbsp;<\/em>(Grande e Sublime miss\u00e3o) onde afirma a necessidade de cuidar do zelo mission\u00e1rio a todos os n\u00edveis; mission\u00e1rios bem preparados e motivados que cuidassem de formar comunidades crist\u00e3s com capacidade de testemunho da sua f\u00e9 e assim Deus possa chamar novos sacerdotes naturais dessas miss\u00f5es em terras long\u00ednquas da Europa. Atualmente a \u201cperiferia\u201d n\u00e3o \u00e9 em terras long\u00ednquas da Europa, mas uma realidade bem pr\u00f3xima de todos.<\/p>\n\n\n\n<p>O Papa Francisco declarou o m\u00eas de outubro de 2019 como um M\u00eas Mission\u00e1rio Extraordin\u00e1rio. Os Bispos portugueses acolheram a iniciativa propondo que \u201cesse m\u00eas seja como etapa final de um Ano Mission\u00e1rio em todas as nossas Dioceses\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui estamos no tempo certo da prepara\u00e7\u00e3o e consequente viv\u00eancia do Ano Mission\u00e1rio, propondo alguns objetivos. \u00c9 bom que corresponda a um ano de crescimento na F\u00e9, crescimento de zelo apost\u00f3lico, na ora\u00e7\u00e3o, dedica\u00e7\u00e3o pastoral e novas experi\u00eancias de miss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Este Ano Mission\u00e1rio poder\u00e1 ser decisivo para intensificarmos a nossa espiritualidade mission\u00e1ria, fundada no carisma de Ana Maria e testada ao longo de mais de s\u00e9culo na vida da Igreja. Pareceu-me por isso, assumir para a reflex\u00e3o desta manh\u00e3, a companhia da Madre Javouhey de modo a entrarmos mais profundamente nos desafios lan\u00e7ados pelo Santo Padre Francisco e pelos nossos Bispos: Com Ana Maria, todos, tudo e sempre em miss\u00e3o!<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Todos&nbsp;<\/strong>\u2013 A miss\u00e3o a que somos chamados e que enra\u00edza na gra\u00e7a do Batismo que recebemos e que nos habilitou para a voca\u00e7\u00e3o sacerdotal, prof\u00e9tica e real, isto \u00e9, para uma identifica\u00e7\u00e3o total com Cristo, \u00e9 tarefa de<\/p>\n\n\n\n<p>Todos. N\u00e3o se trata de um convite para alguns iluminados ou para os especialistas na mat\u00e9ria, mas de uma verdadeira voca\u00e7\u00e3o comum para o an\u00fancio do Evangelho e sua concretiza\u00e7\u00e3o no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tudo \u2013&nbsp;<\/strong>Este tudo, indica-nos que realidade alguma est\u00e1 fora do alcance deste an\u00fancio do Evangelho. Obriga-nos a um \u00eaxodo permanente, a uma sa\u00edda das zonas de conforto, onde corremos sempre o risco da paralisia m\u00edope ou, dito de outro modo, de apanharmos a doen\u00e7a do bolor dos acomodados. Tudo em n\u00f3s \u2013 na vida pessoal e comunit\u00e1ria \u2013 deve estar ao servi\u00e7o da miss\u00e3o de tornar Deus presente e vivo no mundo, em todas as realidades humanas, mesmo naquelas onde n\u00e3o nos querem ou n\u00e3o somos desejados. Seremos assim uma Igreja em sa\u00edda, sem medo do mundo, sem medo do homem, sem medo da miss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sempre&nbsp;<\/strong>\u2013 Este sempre apela e desafia-nos \u00e0 perseveran\u00e7a. N\u00e3o h\u00e1 miss\u00e3o sem perseveran\u00e7a. Uma perseveran\u00e7a que parte da const\u00e2ncia da f\u00e9 e da certeza que renascemos para uma esperan\u00e7a viva pela ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. \u00c9 a vida nova da P\u00e1scoa que nos impele a estarmos permanentemente dispon\u00edveis para oportuna e inoportunamente anunciarmos o Evangelho, como j\u00e1 advertia o Ap\u00f3stolo Paulo a Tim\u00f3teo. E o Papa Francisco, na Alegria do Evangelho diz-nos isto por outras palavras que nos esclarecem:&nbsp;<em>\u201c\u00c9 preciso considerarmo-nos como que marcados a fogo por esta miss\u00e3o de iluminar, aben\u00e7oar, vivificar, levantar, curar, libertar. Nisto se revela a enfermeira aut\u00eantica, o professor aut\u00eantico, o pol\u00edtico aut\u00eantico, aqueles que decidiram, no mais \u00edntimo do seu ser, estar com os outros e ser para os outros\u201d&nbsp;<\/em>(EG 273).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ana Maria: a mulher do Todos, Tudo e Sempre em Miss\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Poder\u00edamos perguntar onde \u00e9 que Ana Maria vai buscar a sabedoria, a ousadia e a aud\u00e1cia para a sua a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria? Que m\u00e9todo ter\u00e1 descoberto para concretizar este Todos, tudo e sempre em Miss\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de mais na&nbsp;<strong>for\u00e7a da f\u00e9&nbsp;<\/strong>que nela \u00e9 convic\u00e7\u00e3o profunda da presen\u00e7a de Deus na sua vida e na vida do mundo. Uma f\u00e9 que gera um novo olhar sobre as pessoas que encontra, independentemente da ra\u00e7a, cor, religi\u00e3o ou cultura. Vai assim muito \u00e0 frente do seu tempo, vivendo uma rela\u00e7\u00e3o com o Senhor que a faz sair, numa atualiza\u00e7\u00e3o surpreendente do Evangelho, manifestando uma Igreja em sa\u00edda, que n\u00e3o hesita em montar hospitais de campanha par acurar os feridos da vida e os esquecidos do mundo. Uma f\u00e9 que gera um olhar sempre novo e criativo, afinal, o olhar de Jesus sobre as multid\u00f5es. Diz Ela na carta que dirige ao pai a partir do Senegal: \u00ab<em>O pai<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>nunca poder\u00e1 fazer ideia do que \u00e9 esta regi\u00e3o: a popula\u00e7\u00e3o \u00e9 demasiada para o espa\u00e7o; em todas as ruas h\u00e1 tanto ou mais gente do que em Paris na rua Saint \u2013 Honor\u00e9 e acredite que l\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 pouca. Parecem-me todos de luto t\u00e3o escura \u00e9 a sua pele. Sinto um desejo imenso de trabalhar para os fazer felizes; se soubesse como at\u00e9 agora t\u00e3o poucos meios se empregaram para atingir este nobre fim. Vou come\u00e7ar com muito poucas coisas, mas a firme esperan\u00e7a de conseguir d\u00e1-me coragem&nbsp;<\/em>(&#8230;)\u00bb1<\/p>\n\n\n\n<p>Esta f\u00e9, manifesta-se na busca constante da felicidade de todos, no dom total de si mesmo. \u00c9 uma f\u00e9 esclarecida quando diz: \u00abQue fazer? Afirmar a nossa F\u00e9 mesmo pondo em risco a pr\u00f3pria vida\u00bb .<\/p>\n\n\n\n<p>Ana Maria sabe que tudo isso prov\u00e9m da busca constante da\u00a0<strong>Santa Vontade de Deus:\u00a0<\/strong>via nos acontecimentos esta vontade de Deus: \u00abtemos de nos submeter aos acontecimentos que nos transcendem e que nos mostram a Vontade de Deus\u00bb . Este racioc\u00ednio \u00e9 constantemente usado por Ana Maria Javouhey: \u00aba Sua Vontade manifesta-se atrav\u00e9s das circunst\u00e2ncias em que nos encontramos sem as ter procurado\u00bb .<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00a0<strong>ora\u00e7\u00e3o\u00a0<\/strong>\u00e9, para Ana Maria a alma da miss\u00e3o: \u00ab<em>meu Deus dai-me F\u00e9, que ela me esclare\u00e7a com a Vossa Luz divina e me conduza pelos caminhos que quereis que eu siga, ela ser\u00e1 a minha for\u00e7a nas tribula\u00e7\u00f5es desta vida<\/em>\u00bb .\u00ab<em>rezemos, rezemos, o Senhor concede tudo \u00e0 ora\u00e7\u00e3o humilde<\/em>\u00bb .<br>\u00ab<em>Nunca deixem a ora\u00e7\u00e3o, meditem junto \u00e0 Cruz e assim receber\u00e3o as luzes\u00a0<\/em> <em>que precisam para cumprir bem os vossos deveres<\/em>\u00bb . S\u00e3o recomenda\u00e7\u00f5es constantes da Madre Javouhey. Orar para conhecer a vontade de Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>O&nbsp;<strong>Perd\u00e3o<\/strong>: Veja-se a atitude da Madre fundadora para com as irm\u00e3s dissidentes de Boubon e a quest\u00e3o do Bispo de Autun: em tudo se manifesta um cora\u00e7\u00e3o determinado e fiel \u00e0 vontade de Deus. Mas tamb\u00e9m no que diz respeito \u00e0 vida das irm\u00e3s, manifesta esta preocupa\u00e7\u00e3o. As irm\u00e3s Chegaram \u00e0 ilha de Bourbon a 28 de Junho de 1817. Mais tarde, Ana Javouhey responde \u00e0 Irm\u00e3 Maria Jos\u00e9 Varin, primeira superiora em Bourbon:<\/p>\n\n\n\n<p>1&nbsp;Ana Maria Javouhey. Correspond\u00eancia 1798 \u2013 1833, Vol. 1, p. 141.&nbsp;2&nbsp;Ana Maria Javouhey. Correspond\u00eancia 1798 \u2013 1833, Vol. 1, p. 522.&nbsp;3&nbsp;Ana Maria Javouhey. Correspond\u00eancia 1798 \u2013 1833, Vol. 1, p. 189.&nbsp;4&nbsp;Ana Maria Javouhey. Correspond\u00eancia 1798 \u2013 1833, Vol. 1, p. 548.&nbsp;5&nbsp;Ana Maria Javouhey. Correspond\u00eancia 1798 \u2013 1833, Vol. 1, p.190.<br>6&nbsp;Ana Maria Javouhey. Correspond\u00eancia 1843 &#8211; 1849, Vol. 3, p. 1594&nbsp;7&nbsp;Ana Maria Javouhey. Correspond\u00eancia 1843 &#8211; 1849, Vol. 3, p. 1364.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00ab<em>Estou morta por ir ter com as irm\u00e3s (&#8230;) Minhas queridas filhas, com que satisfa\u00e7\u00e3o vejo que vivem em harmonia; receava que os vossos temperamentos n\u00e3o se dessem, mas foi o Amor de Deus que vos reuniu, por isso amem-se profundamente, perdoem-se reciprocamente os pequenos\u00a0 defeitos (&#8230;)\u00bb\u00a0.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A&nbsp;<strong>Paci\u00eancia&nbsp;<\/strong>que n\u00e3o \u00e9 resigna\u00e7\u00e3o, mas luta permanente por intuir em tudo a vontade de Deus de modo a poder concretiz\u00e1-la. &#8211; \u00ab<em>Quantas vezes, meu Deus, invoquei o vosso amparo, quando o suor corria da minha fronte e a ang\u00fastia torturava o meu esp\u00edrito. Levantastes as minhas for\u00e7as abatidas, V\u00f3s \u00f3 meu Deus, fizestes com que os poderosos e os justos ouvissem a voz da humilde rapariguinha que, de tamancos nos p\u00e9s, deixou a casa paterna para cumprir a miss\u00e3o que lhe hav\u00edeis destinado<\/em>\u00bb9190.<\/p>\n\n\n\n<p>A&nbsp;<strong>ousadia:&nbsp;<\/strong>nada nem ningu\u00e9m det\u00e9m a Madre Javouhey nos confrontos da<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Miss\u00e3o<em>: <\/em><\/strong>\u00abUm projeto humanit\u00e1rio de grande alcance exige que eu parta para a Guiana francesa. O senhor Ministro da Marinha quis confiar \u00e0 Congrega\u00e7\u00e3o das Irm\u00e3s de S\u00e3o Jos\u00e9 a miss\u00e3o de criar, nas margens do rio Man\u00e1, uma obra destinada a receber os negros confiscados por infra\u00e7\u00e3o \u00e0s leis que pro\u00edbem o tr\u00e1fico de escravos. A\u00ed estes infelizes dever\u00e3o adquirir costumes crist\u00e3os, morais, profissionais para beneficiarem, com proveito para si pr\u00f3prios e para a sociedade, da liberta\u00e7\u00e3o definitiva, que ser\u00e1 concedida \u00e0 maior parte deles em 1837 (&#8230;). A experi\u00eancia que tenho das col\u00f3nias e sobretudo da Guiana, levou o governo a desejar que me dedique pessoalmente \u00e0 execu\u00e7\u00e3o deste humanit\u00e1rio projeto e que eu pr\u00f3pria me encarregue da funda\u00e7\u00e3o desta obra. A f\u00e9 e o meu desejo de solucionar situa\u00e7\u00f5es t\u00e3o lament\u00e1veis, levaram-me a aceitar com alegria<\/p>\n\n\n\n<p>Ana Maria ensina-nos que a voca\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria a que somos chamados \u00e9 uma miss\u00e3o de ser e n\u00e3o de ter. Como membros de Cristo, crist\u00e3os com sentido de perten\u00e7a \u00e0 Igreja, concretizada nas nossas Dioceses (Par\u00f3quias, Comunidades e Movimentos) e nesta Fam\u00edlia Cluny, somos constitu\u00eddos disc\u00edpulos mission\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Ana Maria Javouhey. Correspond\u00eancia 1798 \u2013 1833, Vol. 1, pp. 98-99.<br>Ana Maria Javouhey. Correspond\u00eancia 1833 \u2013 1843, Vol. 2, pp. 790-791.\u00a010\u00a0Ana Maria Javouhey. Correspond\u00eancia 1833 \u2013 1843, Vol. 2, p. 790<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Convers\u00e3o \u00e0 voca\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 convers\u00e3o mission\u00e1ria sem convers\u00e3o espiritual permanente dos agentes pastorais (crist\u00e3os comprometidos). Promovamos os tempos de ora\u00e7\u00e3o individual e comunit\u00e1ria que sustentam o zelo e a alegria dos disc\u00edpulos mission\u00e1rios; \u201c<em>Jesus quer evangelizadores que anunciem a Boa Nova n\u00e3o s\u00f3 com palavras, mas sobretudo com uma vida transfigurada pela presen\u00e7a de Deus<\/em>\u201d (EG 259)<\/p>\n\n\n\n<p>Ningu\u00e9m est\u00e1 sozinho na miss\u00e3o. Podemo-nos sentir sozinhos ou at\u00e9 experimentar a solid\u00e3o naquilo que fazemos, mas a miss\u00e3o \u00e9 participa\u00e7\u00e3o na \u00fanica Miss\u00e3o de Cristo; Ele que prometeu estar sempre connosco at\u00e9 ao fim dos tempos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na medida em que nos deixarmos transfigurar pela presen\u00e7a de Deus nas nossas vidas, estaremos a colaborar para que nos constitua mais fortemente na sua miss\u00e3o de ser um dom de luz e de sabor para a vida neste mundo e nesta terra, como foi Ana Maria. Cada um com o seu carisma e a sua habilita\u00e7\u00e3o, mas em comunh\u00e3o e colabora\u00e7\u00e3o com todos.<\/p>\n\n\n\n<p>O que est\u00e1 em causa \u00e9 a renova\u00e7\u00e3o da Igreja a partir de dentro, a partir do Esp\u00edrito e da miss\u00e3o que lhe est\u00e1 confiada. Tenhamos presente a palavra do Papa Francisco: \u201c<em>Espero que todas as comunidades se esforcem por atuar os meios necess\u00e1rios para avan\u00e7ar no caminho duma convers\u00e3o pastoral e mission\u00e1ria, que n\u00e3o pode deixar as coisas como est\u00e3o. Neste momento, n\u00e3o nos serve uma \u00absimples administra\u00e7\u00e3o\u00bb. Constituamo-nos em \u00abestado permanente de miss\u00e3o\u00bb, em todas as regi\u00f5es da terra\u201d&nbsp;<\/em>(EG 25).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Humildade e Coragem<\/strong><strong>11<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um ano mission\u00e1rio com alguma novidade, requer humildade e coragem. Humildade, porque necessitamos da gra\u00e7a de Deus, do dinamismo do Esp\u00edrito Santo, para darmos bons frutos. Coragem, porque n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel reunir todas as condi\u00e7\u00f5es para partir com seguran\u00e7a. Assim, a ousadia da miss\u00e3o fundamenta-se na confian\u00e7a no Senhor Jesus; resulta de uma afirma\u00e7\u00e3o de f\u00e9 e este \u00e9 o desafio que temos pela frente.<\/p>\n\n\n\n<p>A Palavra de Deus, e especialmente o Novo Testamento, reflete e fortalece em n\u00f3s a Miss\u00e3o de Jesus. Contudo, al\u00e9m da Palavra de Deus, para este nosso caminho pastoral tenhamos presente, tamb\u00e9m, a Nota Pastoral dos Bispos portugueses para o Ano Mission\u00e1rio \u201c<em>Todos, Tudo e Sempre em <\/em>\u00a0Cf. D. Jos\u00e9 Traquina, A miss\u00e3o de ser Luz do Mundo e Sal da Terra (2019).<\/p>\n\n\n\n<p><em>Miss\u00e3o<\/em>\u201d, a Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica&nbsp;<em>Evangelii Gaudium&nbsp;<\/em>(Alegria do Evangelho) e a recente Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica&nbsp;<em>Gaudete et Exsultate&nbsp;<\/em>(Alegrai-vos e Exultai) do Papa Francisco.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Que crist\u00e3os somos e qual \u00e9 a nossa miss\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em todos os tempos houve a necessidade dos mission\u00e1rios estarem bem preparados; sempre que algu\u00e9m tem pela frente um grande desafio, tem de preparar-se para ele. A beleza e os frutos de um ano mission\u00e1rio n\u00e3o acontecem por decreto; acontecem por uma decis\u00e3o individual assumida em comunh\u00e3o com outros.<\/p>\n\n\n\n<p>A pregui\u00e7a, a rotina no apostolado, a falta de esperan\u00e7a, o desinteresse pelo bem comum, a falta de ora\u00e7\u00e3o e o descuido pela vida espiritual, s\u00e3o facilidades para o dem\u00f3nio apagar nos crist\u00e3os a alegria da f\u00e9 e a for\u00e7a do amor de Cristo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ningu\u00e9m transformar\u00e1 positivamente nada neste mundo se primeiro n\u00e3o se transformar a si mesmo. Portanto, em vez de expostos ao fracasso, assumamos individualmente a responsabilidade do cuidado espiritual; s\u00f3 assim, apesar de fr\u00e1geis, seremos crist\u00e3os com alma grande e teremos condi\u00e7\u00f5es para assumir a vida como uma miss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O testemunho dos Santos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para a viv\u00eancia do Ano Mission\u00e1rio, \u00e9-nos sugerido pela Nota Pastoral da CEP que tenhamos presente o testemunho dos Santos. Os santos s\u00e3o os nossos her\u00f3is, n\u00e3o porque fizeram tudo bem feito, mas porque se preocupavam em ser generosos, superando ego\u00edsmos, e ser fi\u00e9is na resposta \u00e0 miss\u00e3o que assumiram na vida. S\u00e3o felizmente muitos estes testemunhos que podemos conhecer desde os in\u00edcios da Igreja at\u00e9 aos nossos dias. Ana Maria \u00e9, para n\u00f3s um desses testemunhos eloquentes que nos estimula a um estilo mission\u00e1rio, com um ardor contagiante e uma ousadia destemida, podemos dizer com o Papa Francisco, uma \u201cEvangelizadora com Esp\u00edrito\u201d. Com Ela e como Ela teremos de desbravar os novos horizontes da miss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Deixo aqui um est\u00edmulo que podemos colher das palavras que escreveu \u00e0s Irm\u00e3s de Mayotte, a 28 de fevereiro de 1846:<\/p>\n\n\n\n<p>\u00ab<em>Sintam-se sempre muito felizes porque est\u00e3o a fazer a santa vontade de Deus, Ele nunca as abandonar\u00e1 nas mis\u00e9rias e contrariedades que possam<\/em> <em>encontrar. Estou convencida de que em toda a parte as Irm\u00e3s dar\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>sempre bom exemplo e nunca esquecem os grandes motivos que determinaram uma viagem t\u00e3o dif\u00edcil. Tenham em vista apenas a Gl\u00f3ria de<\/em> <em>Deus e a Salva\u00e7\u00e3o das almas. Que todas as vossas a\u00e7\u00f5es tendam para este nobre objetivo e encontrar\u00e3o nisso grandes consola\u00e7\u00f5es. Sejam delicadas,<\/em> <em>retas, am\u00e1veis com toda a gente para todos atrair para Jesus Cristo. Amem os pobres e sobretudo as crian\u00e7as, d\u00eaem-lhes a conhecer Deus e a Sua<\/em> <em>Santa lei. Meu Deus, como as considero felizes! Compreendam bem a<\/em> <em>vossa voca\u00e7\u00e3o, estimulem-se, suavizem os sofrimentos das que os possam<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Como Fam\u00edlia Cluny saibamos estar sempre \u00ab<em>onde houver bem a fazer e ter. Sigam a Regra e ela lhes dar\u00e1 seguran\u00e7a e consola\u00e7\u00e3o<\/em>\u00bb\u00a0<em>sofrimento a aliviar\u00bb<\/em>&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Pe. Joaquim Ganh\u00e3o<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Coimbra, 26 de janeiro 2019 Ano Mission\u00e1rio Conforme a Nota Pastoral da Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa&nbsp;\u201cTodos, Tudo e Sempre em Miss\u00e3o\u201d, o Ano Mission\u00e1rio (2018-Outubro-2019) \u00e9 uma proposta dos Bispos portugueses. H\u00e1 99 anos o Papa bento XV publicou a Carta Apost\u00f3lica&nbsp;Maximum Illud&nbsp;(Grande e Sublime miss\u00e3o) onde afirma a necessidade de cuidar do zelo mission\u00e1rio a [&hellip;]<\/p>\n<p class=\"more-link\"><a href=\"https:\/\/clunyportugal.com\/ppsjc\/2020\/03\/01\/com-ana-maria-todos-tudo-e-sempre-em-missao\/\"  class=\"themebutton\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":296,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10,1],"tags":[],"class_list":["post-294","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-formacao","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/clunyportugal.com\/ppsjc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/294","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/clunyportugal.com\/ppsjc\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/clunyportugal.com\/ppsjc\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/clunyportugal.com\/ppsjc\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/clunyportugal.com\/ppsjc\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=294"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/clunyportugal.com\/ppsjc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/294\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":297,"href":"https:\/\/clunyportugal.com\/ppsjc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/294\/revisions\/297"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/clunyportugal.com\/ppsjc\/wp-json\/wp\/v2\/media\/296"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/clunyportugal.com\/ppsjc\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=294"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/clunyportugal.com\/ppsjc\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=294"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/clunyportugal.com\/ppsjc\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=294"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}