{"id":1347,"date":"2021-02-05T15:08:23","date_gmt":"2021-02-05T15:08:23","guid":{"rendered":"https:\/\/clunyportugal.com\/ppsjc\/?p=1347"},"modified":"2021-02-05T15:09:23","modified_gmt":"2021-02-05T15:09:23","slug":"enfermeira-missionaria-aos-83-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/clunyportugal.com\/ppsjc\/2021\/02\/05\/enfermeira-missionaria-aos-83-anos\/","title":{"rendered":"ENFERMEIRA MISSION\u00c1RIA AOS 83 ANOS"},"content":{"rendered":"\n<p style=\"font-size:30px\">Irm\u00e3, enfermeira, mission\u00e1ria e aos 83 anos ainda trabalha.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c2ngela Cunha soube aos nove anos que queria ser freira e, aos 22, que queria ser enfermeira. Concretizou os dois sonhos. Traz Mo\u00e7ambique no cora\u00e7\u00e3o e lamenta n\u00e3o estar na linha da frente contra a Covid.<\/p>\n\n\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/rr.sapo.pt\/iframes\/media.aspx?objid=261983\" width=\"640\" height=\"360\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n\n\n<p>A conversa tem de ser \u00e0 dist\u00e2ncia, porque assim exige a Covid-19, mas a dist\u00e2ncia n\u00e3o agrada \u00e0 Irm\u00e3 \u00c2ngela Cunha, 83 anos, enfermeira toda a vida e ainda hoje. \u201cAvaliar tens\u00f5es arteriais, visitar os doentes mais graves, encaminh\u00e1-los para o m\u00e9dico, nunca parei de trabalhar na sa\u00fade, com trabalhos na comunidade e visitas ao domic\u00edlio\u201d, revela a Irm\u00e3 que lamenta n\u00e3o poder estar na linha da frente do combate \u00e0 pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTenho muita pena de n\u00e3o ter sa\u00fade para estar na linha da frente, para salvar vidas. Gostava de estar na linha da frente para dar apoio moral \u00e0s pessoas que est\u00e3o na maca a morrer sozinhas, pelo menos uma palavra\u201d, sublinha, acrescentando que est\u00e1 em contacto permanente com institui\u00e7\u00f5es de apoio a idosos, a quem presta apoio espiritual.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 a partir do Col\u00e9gio Rainha Santa Isabel, em Coimbra, que a Irm\u00e3, enfermeira, vai recordando uma vida consagrada, que come\u00e7ou aos nove anos, em Vilar das Almas, concelho de Ponte de Lima, onde nasceu. \u201cPercebi muito cedo, devia ter na altura nove anos, tive a gra\u00e7a de nascer numa fam\u00edlia profundamente crist\u00e3, e foi uma alegria t\u00e3o grande dentro de mim, quando pensei: \u2018quando for grande quero ser Irm\u00e3\u2019\u201d, diz. Mas, acrescenta \u00c2ngela Cunha, tinha vergonha de dizer \u00e0 sua m\u00e3e. \u201cPensei que se iam rir de mim. Fui dizendo \u00e0 minha m\u00e3e e ela ia dizendo que era a melhor alegria que lhe dava. A minha m\u00e3e foi uma grande acompanhante vocacional, nunca me for\u00e7ou, mas ia-me sempre acompanhando\u201d, recorda \u00c2ngela Cunha, dizendo ainda que aos 14 deparou-se num cruzamento, em que tinha de decidir o caminho.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"850\" height=\"475\" src=\"https:\/\/clunyportugal.com\/ppsjc\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/irma_enf.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1349\" srcset=\"https:\/\/clunyportugal.com\/ppsjc\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/irma_enf.png 850w, https:\/\/clunyportugal.com\/ppsjc\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/irma_enf-300x168.png 300w, https:\/\/clunyportugal.com\/ppsjc\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/irma_enf-768x429.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 850px) 100vw, 850px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>\u201cComecei a ter pretendentes e nessa altura fiz um discernimento pessoal sobre o queria fazer, namorar ou ir para a vida religiosa. Deus fez-me sentir lindamente que era na vida religiosa que Ele me queria e ent\u00e3o aos 15 anos fui para as Irm\u00e3s de S\u00e3o Jos\u00e9 de Cluny, em Braga\u201d, conta.<\/p>\n\n\n\n<p>A figura materna foi questionando \u00c2ngela se estava certa da escolha. \u201cA minha m\u00e3e perguntava-me sempre: \u2018est\u00e1s feliz?\u2019. Hoje, com 83 anos, digo: n\u00e3o sei como agradecer o Deus, de ser consagrada na Igreja, de ter passado 25 anos em \u00c1frica, de ter percorrido o pa\u00eds, de norte a sul\u201d, real\u00e7a a Irm\u00e3 da prov\u00edncia portuguesa da congrega\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Jos\u00e9 de Cluny.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u00c1frica, pa\u00eds de mem\u00f3rias<\/h2>\n\n\n\n<p>A enfermagem chegou aos 22 anos. \u201cQuis ser enfermeira, para poder fazer bem aos outros, ajudar os mais pobres e estar ao lado de quem mais sofre\u201d, afirma \u00c2ngela, que foi uma das primeiras mulheres enfermeiras a ir para Lisboa estudar a especialidade de enfermagem pedi\u00e1trica.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1bito azul, v\u00e9u preto, gola branca, cabelo grisalho e um sorriso muito maior que o seu metro e meio de altura. \u00c2ngela Cunha, que tirou o curso de enfermagem na Madeira, em 1960, partiu pouco tempo depois rumo a \u00c1frica, a Mo\u00e7ambique, pa\u00eds que lhe traz muitas mem\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTrabalhei como enfermeira no Hospital Central da Beira, estava a coordenar o servi\u00e7o de pediatria, chegava a ter 300 crian\u00e7as a acompanhar, era muito doloroso. Encontrava crian\u00e7as mortas simplesmente por diarreia. Fui pedindo ao m\u00e9dico que me deixasse ir para o bairro e criei l\u00e1 um posto nutricional para evitar que fossem para o hospital. Salv\u00e1mos muitas crian\u00e7as. O hospital \u00e9 para dar vida. Em Maputo, com a ajuda da C\u00e1ritas Portugal fizemos uma &#8216;cozinha ambulante&#8217;, faz\u00edamos panelas de massa e arroz, as crian\u00e7as malnutridas chegavam e comiam\u201d, lembra a religiosa, evocando um acontecimento em particular. \u201cEm 1978, vi dois homens serem arrastados pela tropa e eles batiam-lhe a todo o momento. Parei o carro e pensei: \u2018aquele \u00e9 meu irm\u00e3o\u2019. Apontaram-me as armas, mas eu n\u00e3o me importava de morrer, n\u00e3o tive medo nenhum, se morresse, morria a defender um irm\u00e3o\u201d, assume.<\/p>\n\n\n\n<p>Transmitir o testemunho da vida mission\u00e1ria \u00e9 f\u00e1cil para a Irm\u00e3 \u00c2ngela Cunha. Quando falo \u00e0s crian\u00e7as da minha viv\u00eancia, quando acabo, as crian\u00e7as perguntam: \u2018n\u00e3o h\u00e1 mais?\u2019\u201d, sorri \u00e0 voca\u00e7\u00e3o que escolheu e n\u00e3o tem d\u00favidas. \u201cNem que eu tivesse a riqueza toda do mundo, por nada disso, n\u00e3o trocaria a minha voca\u00e7\u00e3o. E toda a alegria \u00e9 minha. Eu agradeci a Deus. Obrigada Senhor pela entrevista, que me permite falar da vida consagrada\u201d, conclui a Irm\u00e3 que nunca tinha sido entrevistada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c2ngela Cunha est\u00e1 no Col\u00e9gio da Rainha Santa Isabel em Coimbra, onde est\u00e3o 11 Irm\u00e3s, pertencentes \u00e0 congrega\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Jos\u00e9 de Cluny, fundada em Fran\u00e7a, em 1807, por Ana Maria Javouhey, Em todo o mundo, h\u00e1 2.600 Irm\u00e3s desta congrega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/rr.sapo.pt\/2021\/02\/02\/religiao\/irma-enfermeira-missionaria-e-aos-83-anos-ainda-trabalha\/noticia\/225070\/?fbclid=IwAR1pRg_nI8ZmKwbhMtkHKnABdBP6eDch3UR6PL_8FpnUSJDpqNAj7TYtKGM\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Not\u00edcia RR<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Irm\u00e3, enfermeira, mission\u00e1ria e aos 83 anos ainda trabalha. \u00c2ngela Cunha soube aos nove anos que queria ser freira e, aos 22, que queria ser enfermeira. Concretizou os dois sonhos. 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